*Tenho um problema que sempre me perseguiu e só agora começo a dar conta da sua gravidade.Eu esqueço as coisas.Não como quem esquece a carteira em casa ou o guarda-chuva.Esqueço os momentos,e às vezes, até da minha existência.Sempre fui distraído e nunca me preocupei com isso ou com as vezes que esquecia o nome dos meus amigos (mesmo aqueles que convivia diariamente) ou de algum acontecimento que contavam mas eu não havia fixado.Posso ouvir a mesma piada várias vezes e brincava com essa minha deficiência.
Certa vez,estava sentado e esqueci de respirar.Um abalo agitou meu corpo.Era meu pulmão protestando por oxigênio para me manter vivo.
Somente dei conta de que não era apenas distração quando ao preencher um cadastro em um site de compras,eu não sabia o que colocar no campo nome.Sorri para a tela,mas aos poucos uma mistura de desespero e vazio foi se apoderando da minha mente.Enquanto procurava lembrar o meu nome,brigava com minha consciência sobre o absurdo da situação.Eu ia entrando em um limbo de tristeza e vazio.Por um segundo morri,sorvi o nada.A sensação de morte tomou conta do meu não ser,afundei na escuridão da minha mente vazia e naveguei sem rumo.Não sofria,não sentia.Estava preso no revés da minha existência.
Retornei vendo o cursor piscando na minha frente,o campo nome ainda em branco.Fechei a janela,desliguei o computador e me pus em frente ao espelho.Toquei minha face como quem toca a fumaça de um cigarro,esperando que se desfaça.Via mas não compreendia.De quem era aquela face?Apaguei a luz e me deitei.A única coisa que sentia era o frio do medo que me dominava, e nessa não existência acabei adormecendo.
Retornei vendo o cursor piscando na minha frente,o campo nome ainda em branco.Fechei a janela,desliguei o computador e me pus em frente ao espelho.Toquei minha face como quem toca a fumaça de um cigarro,esperando que se desfaça.Via mas não compreendia.De quem era aquela face?Apaguei a luz e me deitei.A única coisa que sentia era o frio do medo que me dominava, e nessa não existência acabei adormecendo.
*Encontrei estas linhas num pedaço de papel,perdido dentro de uma gaveta.Não me lembro de tê-las escrito,mas minha letra feia e trêmula confirma ser de minha autoria.




